Liderança-como-prática em um Cartório Eleitoral do Estado de Santa Catarina
RESUMO
Este estudo de caso teve como objetivo compreender as práticas de liderança sob a perspectiva
da Liderança-como-prática (L-A-P), em um cartório da Justiça Eleitoral do Estado de Santa
Catarina. Para tanto, foram utilizados o método qualitativo, a análise documental e entrevistas
estruturadas com integrantes desse cartório. Como aporte teórico, foi realizada uma revisão
integrativa sobre L-A-P e nenhum estudo no contexto dos cartórios eleitorais foi localizado. A
análise temática dos dados coletados nas entrevistas foi realizada à luz da Teoria da Prática
Social (Schatzki) e da ontologia DAC – direção, alinhamento e comprometimento –, em que se
identificou seis práticas de liderança: diálogo com os membros da equipe, gestão de conflitos,
gestão compartilhada, ação colaborativa, promover o engajamento com o trabalho e inovação.
A prática que apresentou maior densidade no processo de liderança foi promover o engajamento
com o trabalho. Na análise das estruturas de governança das práticas de liderança destacaram-se
os entendimentos de saber se comunicar e saber manter o bom relacionamento interpessoal;
as regras referentes aos valores do planejamento estratégico do TRESC, especialmente respeito,
comprometimento, integração e flexibilidade; e as estruturas teleoafetivas de manter a harmonia
no ambiente de trabalho e fortalecer a coesão do grupo, envolvendo os sentimentos de gratidão,
união, confiança, senso de pertencimento, respeito e orgulho de pertencer. Constatou-se que a
forma de atuação do fenômeno social é participativa, colaborativa, negociada e, na duração, há
previsibilidade, transitoriedade e mutabilidade. Conclui-se que a) a liderança no cartório em
estudo ocorre nas práticas do dia a dia, por meio de processos dinâmicos que envolvem a
interação social do grupo, e exige que a equipe lide com imprevistos, situações emergentes e
inesperadas, especialmente em anos eleitorais; b) os processos de liderança são compartilhados,
com tendências colaborativas; c) há uma relação recursiva entre o contexto do cartório eleitoral
e as práticas de liderança; d) existe constante interação entre as práticas de liderança no Cartório
A, e umas interferindo nas outras, formando uma malha de práticas com base em uma ou mais
atividades, em sistemas onde a ordem está sendo constantemente quebrada e reconstruída; e)
um micro conjunto de práticas, formado por mais de uma prática, mas não da sua totalidade,
afeta as demais, podendo estabelecer a “ordem” e/ou a “desordem” social; f) a liderança no
cartório eleitoral estudado é um processo coletivo, que emerge na execução de um conjunto de
práticas interconectadas, voltadas à definição do DAC no grupo, alinhando a perspectiva da
liderança-como-prática.
Palavras-chave: Liderança-como-prática. Judiciário. Tribunal Regional Eleitoral de Santa
Catarina. Cartório eleitoral. Teoria da Prática Social. Estruturas de governança.


