Página interna do portal
Seção de conteúdo
Entrevista: totalização dos votos é processo aberto, auditável e seguro
Transmissão por canais criptografados e a checagem com chaves privadas garantem a segurança do fluxo
Diante do avanço do calendário rumo ao pleito de 2026, a infraestrutura tecnológica da Justiça Eleitoral se consolida como o principal ativo de estabilidade e segurança do processo democrático brasileiro. Uma das principais ferramentas de segurança da eleitora e do eleitor é a biometria.
Na terceira matéria da série de entrevistas do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o secretário de Tecnologia da Informação, Júlio Valente, detalha a engenharia de segurança que protege o voto das cidadãs e dos cidadãos. A grande virtude do processo de totalização brasileiro reside no fato de que o resultado da eleição não é centralizado em uma apuração oculta, mas sim gerado de forma pública e descentralizada na própria seção eleitoral.
“A urna eletrônica brasileira é um projeto de engenharia que foi desenvolvido pelos brasileiros, para os brasileiros, com as características necessárias para a sociedade brasileira. E nesses 30 anos nunca surgiu nenhuma evidência de fraude no processo eleitoral”, enfatiza Júlio.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como a biometria do eleitor torna o processo mais seguro do que o voto impresso?
A biometrização da população brasileira começou com a iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral para garantir que o eleitor, e só ele, pudesse liberar a urna eletrônica para o seu voto. É claro que isso, em nenhum momento, pode cercear o direito ao voto. Digamos que a eleitora ou o eleitor tenha uma queimadura nas duas mãos na véspera da eleição e não tenha ali a biometria para fornecer naquele dia. Nesse caso, é possível que o mesário libere a votação, mas aí fica o registro da biometria do mesário e quando ele liberou. Então, é uma garantia adicional de que somente o próprio eleitor pode votar, não sendo possível outra pessoa votar no seu lugar.
Como é o processo de votação e a totalização do resultado?
A urna eletrônica brasileira já dá o resultado apurado na seção eleitoral. Então, esse é um grande diferencial do processo eleitoral informatizado brasileiro. A partir daí, tudo que é feito é somar. A totalização nada mais é do que um processo de somatória. A urna eletrônica brasileira, às 17 horas, quando ela é encerrada, imprime no mínimo cinco vias do boletim de urna. O boletim de urna é o resultado do que foi coletado de votos naquela seção eleitoral. Uma das cópias fica afixada na porta da sala onde funcionou a seção eleitoral. Então, a partir dali os resultados já estão públicos, já estão divulgados. Inclusive, é importante que a gente lembre que é possível qualquer pessoa fiscalizar sua seção eleitoral. É pegar o seu celular e coletar os QR codes que ficam posicionados no final de cada boletim de urna. Depois, quando o TSE soma todos esses votos, nós damos o resultado totalizado, mas também apresentamos individualmente o resultado de cada seção eleitoral. Isso permite ao eleitor que verifique que as parcelas que foram utilizadas na totalização foram exatamente aquelas que saíram da urna eletrônica. Dessa forma, garantimos que não existe possibilidade de fraude nem na transmissão, nem na totalização.
Um consórcio de imprensa, um partido ou um candidato pode confrontar o resultado?
Sim, mas é preciso apresentar evidências de que ocorreu fraude.
Como é feita a transmissão do voto, como ele chega ao TSE?
A urna eletrônica não tem nenhum tipo de conexão com a internet, nem com nenhum tipo de rede de dados. De cada urna eletrônica, às 17 horas, quando ela é encerrada, e os boletins de votação impressos, sai um pendrive. Esse dispositivo é retirado da urna eletrônica e tem ali os resultados que já foram impressos no boletim de urna. E ele é levado para qualquer computador que esteja ali mais acessível. Nesse computador, a gente faz uma conexão criptografada com o TSE, um canal único, inacessível por *outras pessoas. E por meio desse canal criptografado, a gente transmite esse resultado.
Após a transmissão, os dados são verificados?
O resultado sai da seção eleitoral e ele chega nos computadores do TSE, onde é feita uma série de verificações. A gente verifica, por exemplo, se esse resultado, que está vindo da seção 1 de determinada cidade, se esse resultado foi gerado pela exata urna eletrônica que foi preparada para essa seção eleitoral. A gente verifica se esse resultado foi assinado digitalmente com a chave privada dessa urna específica. Não é só receber e somar. Tudo é verificado. Quando essas verificações são todas confirmadas com sucesso, só assim é somado o resultado na totalização que já está em andamento.
Qual é a resposta técnica do TSE à onda constante de boatos e desinformação que contesta a segurança da urna brasileira?
A urna eletrônica brasileira é um projeto de engenharia que foi desenvolvido pelos brasileiros, para os brasileiros, com as características necessárias para a sociedade brasileira. E nesses 30 anos nunca surgiu nenhuma evidência de fraude no processo eleitoral. Diferentemente do modelo de votação por meio de cédulas de papel que existia antes. No modelo de votação por cédula, nós temos casos comprovados e historizados de fraudes no processo de coleta, como por exemplo, o que a gente conhecia como o voto carrossel. Da mesma forma, havia fraudes no processo de escrutínio e na guarda das cédulas. Então a gente tinha fraudes que aconteciam em cada um desses processos. Quando as urnas eletrônicas foram incluídas in 1996, desde então nós não temos nenhum caso de fraude em nenhum desses processos. Eu acho que acima de qualquer argumento técnico, nenhum argumento sobrepõe o fato de que não temos desde 1996 nenhum caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras. São 30 anos de sucesso. Esse é o principal argumento. Além disso, é um processo que tem hoje 40 oportunidades de fiscalização e auditoria. A votação no Brasil é um processo plenamente auditável.
Por que o TSE defende que o voto impresso não é necessário e nem viável para o sistema atual?
A primeira coisa que precisa ser dita é que o Tribunal Superior Eleitoral não implantou o voto impresso porque foi julgada uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou inconstitucional essa iniciativa. Nós já fizemos essa experiência em 2002, que trouxe alguns problemas técnicos relevantes. A urna é um equipamento eletrônico. Uma impressora é um equipamento eletromecânico, que tem uma taxa de falha maior. Isso a gente presenciou em 2002: houve um número maior de falhas em todo o sistema e esse foi um dos motivos pelos quais esse processo foi retirado a partir de 2004.
Se um resultado eleitoral for formalmente questionado, quais são os mecanismos disponíveis para fazer uma auditoria ou recontagem dos votos?
É possível fazer a recontagem. As urnas ficam preservadas e lacradas. Porém, a contestação deve ter elementos plausíveis e evidências que comprovem a necessidade de uma recontagem. Isso é julgado pelos tribunais eleitorais. Supondo que existe a plausibilidade na admissão de um pedido de recontagem, é perfeitamente e tecnicamente possível fazer uma recontagem. As urnas, os seus arquivos, os registros digitais dos votos, os boletins de urna ficam todos preservados, não só no centro de processamento de dados do TSE como nas próprias urnas eletrônicas que foram utilizadas na eleição. Por isso existe um período após a eleição em que as urnas ficam lacradas, intocadas, para o caso de uma eventual necessidade de recontagem.
Qual é a mensagem principal que resume o atual estágio de segurança do sistema eleitoral brasileiro?
O processo eleitoral brasileiro é um dos mais seguros, modernos e auditáveis do mundo. É muito importante nesse processo que o cidadão e a cidadã estimulem os seus partidos de preferência, as instituições que participam, para que estejam aqui presentes fiscalizando o nosso processo, colaborando.