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TRE-SC divulga o mapa da acessibilidade e da inclusão política dos povos indígenas em território catarinense
Atendimento volante do Justiça Eleitoral em Movimento amplia eleitorado indígena para as Eleições 2026
Um levantamento interno conduzido pelas unidades técnicas do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) revelou o mapa da acessibilidade e da inclusão política dos povos indígenas em território catarinense. A iniciativa foi motivada por uma solicitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O órgão superior acionou os tribunais regionais de todo o país para diagnosticar experiências, materiais traduzidos e contratos vigentes voltados ao atendimento em línguas nativas, com o objetivo de otimizar o planejamento técnico das Eleições 2026.
O principal braço operacional dessa política de inclusão é o programa Justiça Eleitoral em Movimento. Em junho de 2025, em cumprimento a orientações da Corregedoria-Geral Eleitoral, o tribunal catarinense instituiu formalmente o "Eixo 5", uma subdivisão normativa dedicada exclusivamente a coordenar atendimentos volantes no interior de comunidades indígenas. Desde a criação do eixo protetivo, o TRE-SC realizou um total de 10 atendimentos volantes, cobrindo localidades referenciadas em quatro municípios polo. Ao todo, 291 cidadãos e cidadãs indígenas foram atendidos diretamente, regularizando suas obrigações ou ingressando formalmente no corpo de eleitores do país. Essas missões visam romper barreiras geográficas e isolamentos logísticos severos que impedem o deslocamento de comunidades até as sedes das zonas eleitorais.
O histórico de atendimentos registra ações expressivas:
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Entre Rios (48ª ZE): 35 atendimentos em agosto de 2025 e 60 atendimentos em março de 2026.
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Biguaçu (2ª ZE): 52 atendimentos em um mutirão realizado em novembro de 2025.
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Araquari (27ª ZE): 73 atendimentos coletados durante a força-tarefa em março de 2026.
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José Boiteux (14ª ZE): 71 atendimentos efetuados em abril de 2026.
O mutirão na terra indígena Ibirama-La Klãnõ
Um dos marcos desse relatório foi o mutirão realizado no dia 23 de abril de 2026, no interior da escola indígena Laklãnõ, situada na terra indígena Ibirama-La Klãnõ (município de José Boiteux). A ação integrou-se ao projeto multi-institucional "Ouvir, Proteger e Garantir: Defensoria nas Aldeias", capitaneado de forma conjunta com a Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina (DPESC).
O território indígena estende-se por 37 mil hectares e engloba frações geográficas de quatro municípios (Vitor Meireles, José Boiteux, Doutor Pedrinho e Itaiópolis), abrigando uma população total estimada em 2.517 pessoas das etnias Xokleng, Kaingang e Guarani. Antes desse atendimento, a seção eleitoral sediada na escola local possuía 930 votantes inscritos. Com os 71 atendimentos efetuados em um único dia, o eleitorado local aumentou 7,6%.
A força-tarefa foi articulada pelo chefe de cartório da 14ª Zona Eleitoral, Camilo Leandro Sales, em parceria com a liderança indígena Fabiana Patté dos Santos e com o diretor da escola Alfredo Namblá Priprá. O atendimento ocorreu poucas semanas antes do fechamento do cadastro eleitoral, ocorrido em 6 de maio. Segundo Camilo, "o objetivo da ação foi promover a inclusão e o respeito à diversidade de culturas viabilizando o acesso aos direitos civis básicos. Não só oferecer, mas facilitar ou ainda levar os serviços prestados pela Justiça Eleitoral ao público em geral é uma experiência gratificante".
No detalhamento estatístico daquela ação, constatou-se que 42,25% dos procedimentos foram alistamentos de primeiro título (30 novos eleitores), 29,57% revisões de dados cadastrais (21) e 28,16% transferências de domicílio (20). O perfil das etnias atendidas revelou esmagadora maioria do povo Xokleng (86%), seguido por Kaingang (4,2%) e Terena (1,4%), além de 8,4% que não especificaram a etnia de origem. Para Alfredo Namblá Priprá, diretor da escola Laklãnõ, "foi uma ação de grande importância e de grande valia para todos nós. Pois trata-se de uma comunidade distante dos centros, localizada no interior, onde muitas vezes dificulta o acesso a esse tipo de serviço. E a partir dessa iniciativa, muitos membros da comunidade conseguiram regularizar seus títulos", disse.
Para sistematizar o tratamento, a CRE-SC incorporou um capítulo específico no Manual de Prática Cartorária (MPC), fundamentado nas diretrizes nacionais da Resolução TSE nº 23.659/2021. O guia alerta os servidores dos cartórios eleitorais que Santa Catarina possui 57 aldeias indígenas e 21 quilombolas, somando mais de 26.200 cidadãos e cidadãs sob condições diferenciadas, estipulando procedimentos institucionais rígidos:
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Articulação interinstitucional: Alinhamento direto com a FUNAI e o INCRA para emitir e regularizar documentos de identidade de forma unificada nas aldeias;
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Flexibilização documental: Aceitação obrigatória do documento oficial de identificação civil expedido diretamente pela FUNAI, eliminando exigências de certidões tradicionais;
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Isenção de vínculos temporais: Dispensa absoluta de comprovação formal de residência, além da suspensão do prazo mínimo de um ano de alistamento ou três meses de vínculo municipal para a efetivação de transferências de título;
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Logística coletiva e votação local: Coordenação com prefeituras para oferta de transporte público gratuito em áreas de difícil acesso e avaliação contínua para abertura de seções de votação no interior das terras protegidas, priorizando a convocação de mesários da própria comunidade.
O dado mais estratégico remetido ao Tribunal Superior Eleitoral diz respeito ao diagnóstico sociolinguístico dos eleitores cadastrados no estado. Os dados de raça, etnia e idioma passaram a constar nos sistemas a partir da vigência das novas diretrizes de autodeclaração do TSE.
Atualmente, Santa Catarina conta com um total de 3.741 eleitores que se autodeclaram indígenas (0,07% do eleitorado global do estado). Desse grupo, um universo expressivo de 1.039 cidadãos e cidadãs (27,77%) declarou formalmente falar e utilizar ativamente alguma língua indígena nativa. O preenchimento do sistema, feito via digitação livre, continha dezenas de grafias diferentes, as quais foram unificadas pela Seção de Cadastro do TRE-SC para revelar o real cenário linguístico:
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Guarani e/ou Tupi: 353 eleitores (34,0%)
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Kaingang: 328 eleitores (31,6%)
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Xokléng: 262 eleitores (25,2%)
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Outras Línguas Indígenas: 96 eleitores (9,2%)
Os dados revelam que os troncos linguísticos Guarani/Tupi, Kaingang e Xokléng representam mais de 90% de toda a demanda por acessibilidade de linguagem e tradução no estado. Com a consolidação deste diagnóstico técnico, o TRE-SC planeja ações de maior inclusão e acessibilidade.
Por Patrícia Brasil - Assessoria de Comunicação Social do TRE-SC